quinta-feira, 16 de abril de 2009

Covarde paradinha castiga Botafogo

Se há uma coisa estúpida no futebol, hoje em dia, é a tal paradinha na batida do pênalti. Estúpida e covarde, diga-se de passagem, porque deixa o goleiro sem qualquer chance de defesa. Hoje, essa estupidez foi cruel para o Botafogo, no jogo contra o Americano, de Campos, realizado no Engenhão. Quem vencesse continuaria na Copa do Brasil
A primeira partida, realizada em Campos, terminou em 2 a 1 para a equipe da casa. O Botafogo teria que ganhar o segundo jogo, realizado hoje, por 3 a 1 para se classificar. O Americano, um time que sempre foi cri-cri com os grandes do Rio, começou perdendo por 1 a 0. Empatou no segundo tempo, mas no minutinho final o Botafogo virou a partida, levando a decisão para os pênaltis. Se vencesse, continuaria na Copa do Brasil, se perdesse estaria fora.
Eis que o primeiro a bater a série de pênaltis seria Maicosuel, do Botafogo. Goleiro a postos, Maicosuel tomou distância, correu e espertamente fingiu furar a bola. O goleiro do Americano caiu para o lado esquerdo e deixou o gol aberto. Aí... tchan-tcahn-tchan... Maicosuel enfim chutou e a bola, como a gozar com a cara do jogador da equipe carioca, foi em direção à... trave. Maicosuel levou as mãos à careca, xingou, mas perdeu o pênalti.
Depois, ninguém mais perdeu nada, ninguém mais fez paradinha nenhuma, que nenhum deles quis passar a vergonha do primeiro. Resultado final nos pênaltis: Americano 5 x 4 Botafogo. De castigo pela covardia, a equipe carioca está fora da Copa do Brasil. Bem feito para a paradinha.

Ah, as memórias!

Da época de Montevideo puxei também da memória, as minhas noites na varanda de nosso apartamento. Ficava no quinto andar e ocupava toda a extensão da sala e dos dois quartos da frente. De fundo teria uns tres metros. Um varandão. Eu puxava a cadeira de ferro, colocava os pés sobre a grade e ficava contemplando Pocitos à noite.
Os prédios não eram altos e predominavam as casas. Então, durante o dia tinha uma bela visão do bairro de Pocitos. No horizonte, no Rio da Prata, a praia com o mesmo nome do Bairro. Se olhasse para a minha esquerda, a uns tres quarteirões de casa, o Parque Battle y Ordoñes, com o Estádio Centenário, onde assisti jogos do Peñarol de Spencer e Matosas e depois do fabuloso goleiro Mazurkievich.
Mas sim, falava das minhas contemplações noturnas de Pocitos. De Pocitos passei a contemplar aquele céu escuro, salpicado de estrelas e comecei a viajar. Comecei me perguntando onde eu iria parar se pudesse sair voando em qualquer direção. Aonde chegaria, se pudesse voar initerruptamente. E me dei conta da grandeza daquele que muitos chamam de Deus. Não há como saber onde terminaria meu fictício vôo. A conclusão, para mim, em meus 14, 15 anos, foi de que não há um fim. E "viajei" mais ainda. E se um dia, ou melhor, zilhões de anos depois eu chegasse a bater em alguma obstrução, digamos uma parede... teria achado o final do Universo. Mas aí me apareceu uma dúvida. Se há uma parede, um muro, algo deve haver atrás disso, o que seria? Ai resolvi parar porque senão ficaria maluco. Da mesma forma que ficariamos malucos se discutíssemos a existência de Deus. Se Deus existe, veio de onde? quem existiu antes de Deus? quem criou Deus? Perguntas sem respostas, e é melhor não revolver porque é loucura certa.
Parece aquela brincadeira, mas que tem um ponto de verdade. Se a galinha nasce do ovo e todo ovo precisa de uma galinha para ser posto, quem veio primeiro? O ovo? se foi o ovo, quem o colocou? Não, foi a galinha, diz você. É? Mas a galinha não nasce do ovo? Cadê o ovo? entendeu?
Nossa! Falei tudo isso? Mas eu só queria dizer que uma das coisas mais lindas que vi nos céus de Montevideo foi a passagem das naves americanas (Apolo) a cada duas tres horas cronometradas, em um mesmo trajeto. Um pontinho azul, como uma estrela qualquer, só que andando no céu. Um espetáculo incomum, que só quem viu sabe.

Manrique e Homero

Ontem recebi um e-mail de um amigo uruguaio da época em que estudamos no Liceo Erwy School, na avenida Ingeniero Luis P. Ponce, a poucas quadras de nossa casa, em Montevideo. Ele lembrava os 40 anos de nossa formatura do Erwy e o começo da nossa busca pelos moinhos de ventos prometidos. E eu lembrei que além dos moinhos de ventos, muitos também construiram castelos de areia. Enfim, cada um na sua; são os malditos caminhos que temos que percorrer na vida. As vezes acertamos a direção, noutras, erramos feio. Mas se não houvesse acertos e erros, não cresceríamos.
Mas a verdade é que fiquei empolgado com a lembrança e fui buscar na internet coisas do meu passado e acabei encontrando o texto completo das Coplas a la Muerte de Mi Padre, de Jorge Manrique. Um poema, poesia, sei lá que nome tem isso. Hoje não me interessa mais e nem me preocupo em saber o que é. Mas na década de 70, quando estavamos cursando o preparatório (nosso ensino médio de hoje) tinha que saber de cor aquele texto para a prova escrita e oral. Esta, com banca de tres professores. Um do colégio onde a prova era aplicada, o meu professor de Literatura e um terceiro, presidente da banca, representante da Secretaria de Educação de lá. Era dele a decisão de nos perguntar ou não e de nos aprovar ou reprovar. Estudo sério. Quem zerasse o ensino médio estava automaticamente na faculdade escolhida. Sem vestibular.
Agora lembro que outra coisa que tive que aprender de cor foi o primeiro capítulo todo de a Ilíada, de Homero. Dose pra leão!
Mas valeu a pena. Foi uma época saudosa, como hoje não vejo mais. Se duvidar, nem lá.

Richard Wagner

A cada dia que passa, meu encantamento com o compositor Richard Wagner aumenta muitíssimo. De todos os autores de ópera, para mim, ele é o melhor. Vou dar uma escorregada em Pietro Mascagni, com sua Cavalleria Rusticana, cuja música é também bela. Outro autor, nacional este, que merece ser lembrado é Carlos Gomes e sua abertura de O Guarani. Essa me traz lembranças da infância em Ibicuí.
Mas nada, nada mesmo se compara à abertura de Tannhäuser, de Richard Wagner. O que é isso, meu Deus! é Divino, arrepiante! Há um ou dois anos atrás tive a oportunidade de ver essa ópera encenada no Municipal do Rio, mas lamentavelmente havia falecido um parente de um membro da orquestra e a abertura foi um fracasso. Sem força, insossa. Deu pena. Com toda a dor e com todo o respeito pelo que aconteceu, mas me parece que faltou também profissionalismo. Ou se fazia a apresentação de forma correta ou não se realizava a récita naquele dia.
Agora, enquanto escrevo esta postagem, escuto Tristão e Isolda, de Wagnar. Outra belezura.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Seja absolutamente sincero com você.

Foram 27 dias fora do ar. Não, não me censuraram, apenas coisas inevitáveis aconteceram aqui, e me fizeram parar de escrever. De escrever, mas não de ler e pensar, pensar muito. Coisas que espero colocar aqui. Mas antes, vamos fazer uma espécie de jogo da verdade. Um jogo da verdade curto, curtíssimo.
Seja sincero, absolutamente sincero com você, ok?
Quando tiver oportunidade de estar a sós com você mesmo, coloque uma música bem relaxante, acenda un incenso se quiser, feche os olhos e pense, reflita bastante, navegue fundo em seu interior e me diga: qual é a única coisa da qual você e todos nós temos certeza absoluta de existir?
Continuamos a conversa depois.